A minoria aparentemente dispensável

28 de Abril de 2009 – 11:11

O Presidente do CD Filipe Soares Franco oferece hoje aos adeptos e sócios do Sporting uma entrevista no jornal Record, em jeito de balanço (e de véspera de recandidatura), na qual volta a dedicar especial atenção ao grupo de dimensão variável (25% a 33%) de votos de sócios que bloquearam algumas das suas propostas ao longo do seu mandato, nomeadamente as que não constavam do programa eleitoral que submeteu a eleições há 3 anos atrás.

Das palavras de Filipe Soares Franco decorre hoje, como decorreu sempre, a noção de que estes sócios são um entrave e não um objectivo de reconquista. De facto, em 3 anos de mandato, o seu conselho directivo poucas ou mesmo nenhumas vezes mostrou vontade e desejo de acolher os pontos de vista divergentes, esclarecê-los e agir sobre os mesmos após a sua avaliação. Não podemos oferecer melhor prova disto mesmo aos sportinguistas do que o trajecto cumprido pelo Movimento Leão de Verdade ao longo destes últimos 2 anos, marcado por obstáculos, artifícios e demoras no cumprimento de todos os objectivos de esclarecimento aos consócios a que nos propusemos, pese embora o nosso comportamento de permanente observância das obrigações que os estatutos impõem e das mais elementares regras de civilidade, educação e correcto comportamento sportinguista.

Desta e de outras entrevistas fica sobretudo a confirmação de que Filipe Soares Franco não é de facto um homem virado para os sócios do Sporting, facto que aliás confirmou em diversas declarações ao longo dos anos. E fica também a noção de que não lhe custa perdê-los. O número de sócios efectivos pagantes que revelou na última AG foram apresentados como se de um facto incontornável e até pouco significativo se tratasse, merecendo como único comentário a constatação de que são ligeiramente superiores aos que encontrou quando assumiu a presidência do clube (embora certamente inferiores aos que lhe foram entregues quando assumiu funções como membro responsável dos órgãos sociais do clube, o que aconteceu há muitos anos e que é raras vezes referido pelo mesmo.

Como sócio do Sporting Clube de Portugal fico assim com a noção, cada vez mais clara, e que pude já constatar em AGs mais pequenas, nas quais Filipe Soares Franco esgrimiu argumentos com sócios que lhe apontaram erros crassos de percepção do fenómeno do associativismo desportivo e de mobilização de sócios e adeptos, que o meu presidente não me considera uma mais-valia do Sporting Clube de Portugal. Nem a mim, nem a todos os que no seu entendimento o bloqueiam (por discordarem da sua linha de rumo, objectivos e processos) nem à enorme “maioria de abandono”, de mais de 70% de sócios que já abandonaram a participação directa no futuro do clube, para a qual não apresentou nunca um projecto claro de reconquista nem sequer o entendimento claro de que não existe futuro financeiro, desportivo ou institucional sem promover activamente o seu regresso ao clube, o que só pode acontecer através de uma real mudança de paradigma.

Nota complementar: como era do nosso conhecimento há já algum tempo Filipe Soares Franco vai recandidatar-se. Será difícil, mas não impossivel, explicar o porquê dessa decisão, não pela incoerência mas pela falta de vontade e motivação que já confidenciou por diversas vezes, provavelmente furada pelo facto de não existir no status quo vigente um candidato conciliador e agregador que garantisse não só a eleição certa como também a persecução dos objectivos traçados e ainda a não menos indispensável certeza de que certos assuntos do passado ficam aí mesmo. No passado, por escrutinar e esclarecer aos sócios do Sporting Clube de Portugal.

1 Comentário

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  1. 1

    Bettencourt parece ir pelo mesmo caminho, pois diz que esclarecer os sócios com finanças é uma maçada!E debates, também não.

    Enfim.

    Comentário por Tuga a 25 de Maio de 2009 @ 1:30


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