O Projecto Roquette

JOSÉ ROQUETTE EM ENTREVISTA AO JORNAL RECORD EM 1999.

Esta entrevista resume o que era o Projecto Roquette. Cabe a cada um comparar com a realidade actual e tirar as suas conclusões.

José Roquette: «Sistema beneficia FC Porto»

Entrevista de João Marcelino

- O Sporting anunciou um acordo com o Banco Comercial Português (BCP) e assinou-o, há poucos dias, no local onde comemorou a passagem do 93º aniversário. Ao que julgo saber, esse acordo tem duas vertentes. Uma é a conglomeração do passivo nessa entidade; a outra terá a ver com um acordo para dez anos que ainda aparece aos sportinguistas como algo difuso. Gostaria de começar esta entrevista com o esclarecimento dessa operação.

- A primeira parte é realmente como refere. Há, por parte do BCP, um acordo no sentido de que funcione como banco do Sporting. Trata-se da concentração de um passivo que está em diluição muito rápida. Em relativamente pouco tempo o Sporting deixará de ter passivo.

- Neste momento o passivo ascende a quanto?

- Está mais ou menos à volta do que sempre esteve: na zona dos seis milhões de contos.

- Quanto à segunda parte do acordo…?

- Tem a ver com um protocolo. Conhecendo o BCP - que passa a ser o nosso principal interlocutor nesse sector - o planeamento financeiro e de tesouraria do Sporting a um prazo largo, o protocolo garante o apoio do Banco; cumprido que seja esse planeamento, claro. É, no fundo, uma planificação transformada em protocolo. Amarra o Sporting ao cumprimento escrupuloso de um plano e garante ao clube o apoio financeiro de uma instituição importante da vida portuguesa. Fará, por exemplo, com que dentro de três anos o Sporting - o Sporting-instituição; não estou a falar da SAD - não tenha défice; que haja uma conta de exploração equilibrada.

- Esse cumprimento rigoroso de uma política financeira supervisionada por um protocolo com um banco não poderá vir a influir na política de investimento desportivo?

- Não! Porque nesse planeamento está previsto, inclusive, o apoio do Sporting à Sporting SAD em termos de eventuais aumentos de capital. Aliás, está previsto que esse aumento de capital possa ocorrer algures ainda este ano.

- Esteve previsto para Fevereiro, não esteve?

- Poderia ter acontecido. Nesta altura está previsto que possa acontecer no último trimestre do ano. Mas poderá também não acontecer. Depende das necessidades da SAD e de como as coisas forem evoluindo. Nesse aspecto, está tomada a decisão de que quem constrói o centro de estágio e o novo estádio é o Sporting Clube de Portugal. E essa equação financeira já tem a respectiva solução.

- Essa solução passa de alguma maneira por esse acordo com o BCP?

- Não exactamente. Esse é um quadro de tesouraria corrente.

- Já agora: qual a prioridade entre centro de estágio e novo estádio?

- O centro de estágio. Por uma razão simples: sem o centro de estágio estar pronto não podemos começar a construir o novo estádio, que será implantado na zona onde actualmente se encontram os campos de treino.

- Ainda no que respeita ao acordo com o BCP: é a primeira vez que uma instituição bancária dessa grandeza, em Portugal, está junta a uma SAD, ainda que por via indirecta do protocolo com o clube maioritário. O que significa, em termos gerais, para o Sporting, este protocolo? Trata-se de um investidor institucional que traz confiança ao mercado, não é verdade?

- Bem, neste caso, o BCP não funciona na qualidade de investidor e está junto ao Sporting-instituição.

- Que…

- Que, é evidente, directamente e através da Sporting SGPS, se assume como accionista controlador da Sporting SAD. Mas o BCP, em relação à SAD, não tem um envolvimento especial que outros bancos não tenham.

- De qualquer forma, a Sporting SAD tirou dividendos desta associação do clube ao banco. Ou não?

- Tira, mas pela via do Sporting-instituição. Isto é mais importante do que se o protocolo dissesse respeito à Sporting SAD. - Porquê? - Porque representa que o Sporting Clube de Portugal tem realmente a credibilidade, e a estabilidade económica e financeira, necessária ao estabelecimento de um protocolo deste tipo. Isto decorre de um processo que teve prioridade absoluta: a recuperação do clube em termos patrimoniais, económicos e financeiros. Objectivo esse que está atingido.

- …

- Não só em termos do presente, como numa projecção a dez anos, período que cai no âmbito do protocolo. É bom que se diga, de resto, que o Sporting não contactou apenas o BCP. Auscultámos, também, outros grupos financeiros.

TROCAR PATRIMÓNIO

- Porquê, no final, o BCP?

- Foi o banco que nos apresentou as soluções concretas para concretizarmos as nossas necessidades. E o Sporting sabe agora, depois de fazer uma projecção de tesouraria a dez anos - num estudo que tem a ver com o clube e com as sociedades participadas -, que pode contar com o apoio do BCP no sentido de as tornar sucessivas realidades até 2009. Esses compromissos, para além dos eventuais aumentos de capital previstos na SAD, são balizas que o Sporting pode e vai respeitar. Isto não se trata de meter números num papel; trata-se de uma coisa seriamente pensada e articulada do ponto de vista profissional e que tem obviamente como base aquilo que no Sporting é hoje muito importante: o património imobiliário. É este que permite as opções estratégicas importantíssimas que o Sporting está a tomar, entre elas a construção do novo estádio. O Sporting vai trocar algum património imobiliário pela construção do estádio.

- Já está definida qual a área de terreno que será trocada?

- Não. Mas terá a ver com a área total de que o Sporting disporá na altura em que o estádio actual for demolido. Nós vamos continuar a utilizar o estádio actual até ao fim da época de 2002. Nessa altura o estádio novo estará construído, o outro será demolido, e ficaremos com uma autorização de mais cerca de 120/130 mil metros quadrados, para além do restante património imobiliário. O Sporting não é, à partida, uma instituição vocacionada para gerir ou promover o património imobiliário - que, ainda por cima, não é estratégico, é tradicional, sejam metros quadrados de habitação, de escritório ou de espaços comerciais. Por isso o trocaremos. O Sporting pretende um património imobiliário que esteja ao serviço daquilo que no clube é nuclear, ou seja, o futebol profissional.

- A expectativa é construir o novo estádio em três anos?

- Exactamente.

- A engenharia financeira para viabilizar esse projecto passa, então, pela troca de património. E passa por que outros apoios? Do Governo, já se sabe, com 4,3 milhões de contos. E também da Câmara Municipal de Lisboa (CML)?

- Da Câmara não. A CML o que deu, e muito importante, foi a aprovação por unanimidade na assembleia municipal, o que é notável, do projecto imobiliário do Sporting para aquela zona. Isso também diz da credibilidade e profissionalismo com que o Sporting tratou da questão.

- E o que significa essa aprovação?

- Olhe, que por exemplo a qualidade de vida na zona vai melhorar muito. Essa foi a ideia-base da nossa apresentação. E, obviamente, a decisão da CML criou as condições para que o Sporting pudesse, por si próprio, avançar com a construção do novo estádio.

O CUSTO DO ESTÁDIO

- Qual é o custo global estimado do novo estádio?

- Cerca de 15 milhões de contos.

- Do Governo virão 4,3 milhões. E o restante só da troca de património?

- Não. Teremos os chamados accionistas fundadores. Serão doze.

- Já estão definidos alguns?

- Há contactos, alguns bastante adiantados. É relativamente simples: trata-se da mesma estrutura aplicada no ArenA de Amesterdão e noutros estádios. Os doze serão encontrados entre uma Pepsi Cola e uma Coca Cola, entre uma TMN e uma Telecel, entre a Unicer e a Centralcer e por aí fora. Obviamente um desses accionistas fundadores poderá vir a ser o BCP, que passaria a ter instalações dentro do estádio do Sporting.

- E daí virão…?

- Três milhões de contos. O resto sairá do património imobiliário do Sporting.

- E a quem competirá a gestão futura desse espaço?

- Ao Sporting-instituição como proprietário. E a exploração ficará a cargo da Estádio de Alvalade, SA, empresa que hoje em dia já faz a exploração do estádio actual.

CENTRO DE ESTÁGIO

- Vamos ao centro de estágio. Porquê Alcochete?

- Estudámos alguns locais e chegámos à conclusão que, por razões de acesso e transporte, e também ambientais e de proximidade, Alcochete era a zona adequada. Além do mais, temos a expansão assegurada se, no futuro, viermos a precisar de ocupar mais área. E é, claro, uma zona de forte implantação sportinguista.

- Quanto vai custar esta obra?

- Aproximadamente um milhão de contos.

- …

- Este centro de estágio, além de permitir a construção do novo estádio, representa uma alteração estrutural importantíssima na gestão do futebol profissional do Sporting. Hoje o trabalho que é feito em Alvalade implica, na maior parte dos casos, meio dia de trabalho. Os jogadores chegam, fazem o treino e regressam a casa. Ora o tipo de trabalho que é necessário fazer implica um espaço muito mais largo. Um espaço não apenas dedicado ao treino físico, mas de 6/7 horas dedicado a muitas mais coisas. Já é assim em muitos outros grandes clubes europeus. O centro de estágio não é, apenas, a construção de meia dúzia de campos relvados. É um projecto muito mais abrangente.

BOLSA E DIVIDENDOS

- Regressemos à SAD: alguma vez irão ser distribuídos lucros?

- Não tenho qualquer dúvida. Existem, aliás, disposições regulamentares que obrigam a que essa questão seja, pelo menos, colocada aos accionistas. A SAD do Sporting poderá apresentar resultados positivos neste exercício e, nesse caso, uma determinada percentagem deles tem de ser proposta como dividendos, embora não seja forçoso que essa distribuição se faça. Os accionistas podem aprovar um destino diferente. Acontece muitas vezes que esses dividendos são reinvestidos.

- As grandes empresas cotadas em bolsa distribuem anualmente dividendos…

- Acredito que dentro de alguns anos essa prática possa ser uma rotina na Sporting SAD. Poderá fazer parte, também, de um enquadramento mais normal das Sociedades Anónimas Desportivas no mercado de capitais. Serão os accionistas quem terá de o determinar. E o Sporting, como accionista maioritário por via directa ou indirecta, deverá ter alguma preocupação de colher da parte dos accionistas exteriores ao Sporting - a maioria dos quais, acredito, são sportinguistas - a sua opinião e o seu desejo.

- Não lhe pergunto se acredita que uma SAD pode algum dia aspirar a ser admitida ao primeiro mercado da Bolsa de Valores de Lisboa - obviamente que me responderia “sim”. Pergunto apenas: qual o prazo, realista, para que isso possa acontecer?

- Não considero isso uma coisa fundamental.

- Numa primeira fase já o considerou importante.

- Já, porque na altura o arranque por essa via nos daria eventualmente um maior impacto. Contudo, a partir do momento em que foi possível assegurar o funcionamento em contínuo, mesmo no segundo mercado, para todos os efeitos deixou de haver diferenças. Mas também lhe digo: no primeiro mercado, se calhar, há empresas com menos padrão do que eventualmente podem ter as duas SAD’s que estão cotadas no segundo mercado. Volto, no entanto, a repetir: esta questão não é estratégica nem deve ter qualquer tipo de prioridade. Inclusive devemos aceitar que o número de acções transaccionadas nas duas SAD’s cotadas é relativamente baixo.

- Esse é um problema inultrapassável?

- Não, não é. Neste momento já se fala, e eu acho isso inevitável, numa bolsa pan-europeia. E numa bolsa a funcionar a nível europeu as coisas mudarão muito para as SAD’s. E porquê? Porque se iriam encontrar com outras instituições do mesmo tipo, e do mesmo sector, com mais experiência. Isso seria positivo para nós.

- Está a falar de um cenário a não menos de dez anos…

- Acho que não. Vão acontecer coisas muito depressa nessa zona.

- Quando as SAD’s apareceram na Bolsa pensou-se que as oscilações de cotação se fariam muito mais em função dos resultados desportivos. Ora, curiosamente, a SAD do Sporting recuperou nas últimas semanas em função do negócio, fosse ele a venda de Simão Sabrosa (que permitiu um encaixe de 2,8 milhões de contos), as renovações de Delfim e Duscher ou o protocolo com o BCP. Que significado retira desta realidade?

- Devo dizer-lhe que nunca achei que os resultados desportivos imediatos pudessem vir a ser a origem de grandes flutuações. A tendência dos resultados desportivos, essa, sim. Uma trajectória claramente ascendente ou descendente nunca deixaria de provocar alterações. Por isso mesmo, é natural que numa altura em que o Sporting prepara um plantel altamente competitivo isso tenha reflexos na cotação em Bolsa. Assim como, de resto, todos os acordos que promovam uma boa gestão, a começar pela gestão do plantel, como esses dois que referiu; e houve outros.

GENTE DE QUALIDADE

- O grande público conhece os rostos do futebol do Sporting, em especial Paulo Abreu. Eu pergunto-lhe: quem são as pessoas que estão consigo por detrás da concepção e realização do projecto empresarial do Sporting?

- O Sporting é hoje nessa vertente uma instituição diferente; até diferente dos concorrentes mais directos, o que por sua vez determina um presidente diferente.

- Embora no caso do presidente talvez já tivesse sido mais diferente do que é hoje…

- Talvez… Mas noutra perspectiva que não nesta que estava a referir. O Sporting tem hoje no Conselho Directivo e nos Conselhos de Administração das várias empresas do grupo gente de enorme qualidade, tanto em termos nacionais como internacionais.

- Em “full time”?

- Também em “full time”, mas isso é consequência. Estava a falar do António Dias da Cunha, do João Ribeiro da Fonseca, do Paulo Abreu, do Nuno Caldeira da Silva, do dr. Oliveira Martins, do eng. Correia Sampaio, entre outros, não esquecendo as pessoas que estão no Conselho Directivo, como Nuno Galvão Telles, Isabel Trigo Mira, Mário Moniz Pereira, Reis Pinto, etc. É tudo gente de grande qualidade e grande padrão. E gente que não é remunerada. Não há remunerações ao nível do Conselho Directivo ou dos CA da Sporting SAD ou da Sporting SGPS. E ter essa gente neste projecto é fundamental, até porque comanda automaticamente o nível dos Quadros. Aí há, também, gente de grande valor, como é o caso do dr. Diogo Gaspar Ferreira, director-geral do Sporting. Depois repare: quando esta gente se senta à volta de uma mesa para tomar decisões, sejam de tipo estratégico, de planeamento, ou de gestão diária, as coisas têm de funcionar por consenso. Neste contexto não há espaço para um presidente-ditador, ou inevitavelmente as pessoas sairiam porque estão habituadas a relações de qualidade. Ora bem, penso que isso é uma grande mais-valia do Sporting - e também só por isso conseguimos atingir a grande velocidade a que as coisas hoje se estão a passar no Sporting-instituição. Caso contrário, como acontece noutras sedes, tudo estaria limitado ao tempo do presidente. Isso, repito, é uma grande força deste Sporting e ficou demonstrado na rapidez com que conseguimos promover e gerar as soluções que estão a começar a ficar à vista e permitirão um futuro risonho ao clube. Neste contexto não há lugar a ditadores, a mecenas ou a outros desvios.

CUMPRIR MANDATO

- O seu mandato é de mais quanto tempo?

- Mais dois anos e qualquer coisa.

- Espera levar o mandato até ao fim?

- Tenciono, claro. Foi um compromisso assumido com os sócios e hoje acho que o posso cumprir numa perspectiva mais tranquila.

- Faço-lhe esta pergunta porque, há uns meses, apareceram rumores de que o senhor poderia estar a organizar a vida do Sporting, desportiva, financeira e empresarial, para depois passar o testemunho…

- Isso nunca foi posto nessa perspectiva de eu poder afastar-me do Sporting. Aliás, eu estarei no clube só enquanto os sócios o quiserem, independentemente do compromisso que haja. Se em função de alguma assembleia geral (AG), ou de algum sentimento generalizado, se chegar à conclusão que não devo ser presidente do Sporting, eu não fico nem mais um dia.

- Não é esse o caso. Estava a falar de uma saída em função da sua própria vontade.

- Eu sei. Mas é importante que diga isto. Sabe porquê? Porque realmente é outra vantagem competitiva do Sporting: são os sócios, reunidos em AG, que são a sede do Poder no clube. Quando não é assim há sempre manipulações de Poder. Se fizer a história das decisões que foram tomadas nos últimos anos, verá que, repetidas vezes, e muitas delas sem necessidade, nós pusemos à apreciação dos sócios as decisões fundamentais a serem tomadas. Isso aconteceu com o património imobiliário, até mais que uma vez - de maneira que os sócios poderiam até dizer “nós já decidimos isto, já foi aprovado”. Mas nós entendíamos, e entendemos, dever marcar muito bem este caminho. A sede do Poder, por cultura interna, tem de ser a AG. Assim se evitam muitas tentações e, até, manifestações desadequadas fora da AG do clube.

- Concluindo e resumindo: garante que vai cumprir o mandato até ao fim…?

- E com muito mais tranquilidade hoje. Aqueles rumores que há pouco referiu têm a ver com a tremenda pressão resultante da vida de todos os dias.

- Neste caso a oriunda dos resultados da equipa de futebol…

- Não é só isso. É mais o tentar conciliar em 24 horas a vida profissional, familiar e o Sporting Clube de Portugal. Isso é difícil. E gera, inevitavelmente, problemas.

- O Sporting, estou a ver, foi um grande choque na rotina, chamemos-lhe assim, da sua vida, principalmente a familiar?

- Indiscutivelmente. Foi e continua a ser. É qualquer coisa que tenho de gerir e provoca tensões. Na minha actividade de empresário felizmente tenho uma equipa organizada e posso contar com a excelente colaboração do dr. Dias Loureiro, se não teria problemas muito complicados para gerir um grupo de indiscutível dimensão. Estrategicamente a Plêiade participa sempre de forma activa em empresas-líder dos respectivos sectores e, portanto, essa liderança implica um conjunto de obrigações que não existiriam no caso de sermos investidores passivos. E como até aqui a minha vida se distribuía, em termos de carga de trabalho diária, a 80% para o Sporting, as tensões criaram-se.

- E o que mudou?

- Hoje, pela organização e pela qualidade das pessoas que servem o Sporting, pela forma como o projecto do clube foi tratado, sinto-me muito mais tranquilo em relação ao futuro e em relação aos anos que faltam para o final do mandato. Esse tempo já está muito bem planificado. Vou ter uma carga de trabalho muito menor do que aquela que tive até agora.

- Estando o futuro estratégico e empresarial do clube a seguir o caminho estabelecido, pode dizer-se que já só lhe falta agora o essencial: o êxito no futebol. E faço a ponte para o futebol começando pela época passada…

- [Interrompendo decidido] Vamos lá a isso.