A verdadeira maioria silenciosa

7 de Abril de 2009 – 19:31

O movimento Leão de Verdade marcou presença no último Congresso do Sporting. Entre o entusiasmo de uns e a desilusão de outros, prefiro caracterizar o último encontro de sportinguistas que teve lugar na bonita cidade de Santarém como absolutamente… previsível. Confesso que me sentia algo confuso perante as elevadas expectativas, ingénuas ou nem por isso, protagonizadas por algumas figuras do universo sportinguista, nomeadamente as que encontram os microfones semanalmente com maior facilidade. Alguns esperavam o aparecimento de fortes candidatos, outros o apontar de linhas de rumo fracturantes, outros ainda apostavam numa espécie de unanimismo que confesso nunca ter percebido como poderá ser benéfico para o futuro do Sporting Clube de Portugal.

Posto isto, na nossa perspectiva o Congresso correu como esperado. Imprevisível apenas talvez a boa organização do evento, mas tudo o resto bastante previsível. Foi como esperávamos um convívio de sócios do Sporting onde tivemos a possibilidade de ouvir alguns detalhes interessantes por parte do conselho directivo e funcionários actuais bem como pensar algumas ideias interessantes propostas pelos demais associados, mesmo que algumas delas incontornavelmente condenadas pelo pouco tempo e detalhe disponíveis à sua total compreensão. Tive a sorte de marcar presença na secção Futebol, a qual apesar de calma se destacou pela partilha por parte da SAD de um documento explicativo do seu modelo estratégico, que rendeu bastantes elogios a Miguel Ribeiro Telles, o qual entremeava a indesmentivelmente bem conseguida apresentação com algumas tiradas de estranho “calimerismo” para com a crítica permanente à actuação da sociedade que dirige. O pormenor que porventura escapa a Miguel Ribeiro Telles é o de que de nada vale ter um modelo estratégico interessante (que nos coloca, avisadamente, em linha com um Lyon ou Feyenoord) se este não é executado, nas questões fundamentais, com a qualidade que só pode decorrer de profissionais que realmente entendem o fenómeno que trabalham. O documento apresentado assim por Miguel Ribeiro Telles brilhou perante os demais, e brilharia também aos meus olhos se automaticamente não me viesse à memória tudo aquilo que coloca em causa a imagem de boa execução do plano por parte da SAD leonina nos últimos 10 anos, a maioria deles protagonizados por Miguel Ribeiro Telles: as eras Carlos Freitas, as escolhas de alguns treinadores, a comunicação externa nas suas diversas vertentes, o imperceptível critério de aquisições praticado, o flagelo disciplinar que marca o último decénio sportinguista, entre tantos outros pormenores que nos demonstram existir de facto uma diferença notória entre o Sporting e um qualquer Lyon, sem sequer referir já os títulos.

O outro lado do Congresso que me parece digno de realce é o de, mais uma vez, se ignorar a verdadeira maioria silenciosa do Sporting Clube de Portugal. José E. Bettencourt pareceu referir-se à mesma, no seu discurso de descarte, mas não era bem à verdadeira maioria silenciosa que ele se referiu no seu diálogo com os jornalistas. Também a imprensa, no dia seguinte ao congresso, referindo uma ovação de 2 minutos da maioria dos presentes no grande auditório, a pedido de Paulo Abreu através da sua moção, confundiu a maioria dos congressistas presentes com a verdadeira maioria sportinguista, que já não se pode dizer sequer representada pelos presentes, sejam eles a favor ou contra a linha de rumo que marca a história do Sporting Clube de Portugal do último decénio.

A verdadeira maioria silenciosa do Sporting Clube de Portugal, e aquela a quem uma eventual candidatura sportinguista devia apelar, é constituída não só por todos os adeptos que não sentem hoje a motivação suficiente a abraçarem o associativismo leonino, mas sobretudo pelos cerca de 75% de associados que abandonaram o clube ou seja, que deixaram de pagar as suas quotas nos últimos anos. É esta a verdadeira maioria silenciosa que o status quo vigente ignora ou não sabe cativar, sabendo nós que para cativar é necessário primeiro respeitar, e também aquela que qualquer candidatura de alternativa deve encarar como objectivo primordial, sob pena de seja qual for o rumo do Sporting dos próximos anos, definido pelos seus associados que ainda permanecem fiéis, o clube ser condenado a um definitivo definhar, o qual, possivelmente caracterizado com excessivo dramatismo por Dias da Cunha aos olhos de alguns, deve ser olhado com seriedade pelos demais, sobretudo tendo em conta os objectivos e estatuto que o Sporting Clube de Portugal já assumiu num passado não tão distante como possa parecer.

É esta a maioria silenciosa que a oligarquia vigente no último decénio deixou escapar e nunca compreendeu. E é também esta a maioria silenciosa que qualquer projecto alternativo de poder deve cativar. O sorriso de aparente troça de Filipe Soares Franco durante a fase de votação das diversas propostas a Congresso apenas me faz acreditar que não só o Conselho Directivo aparentemente cessante como qualquer derivação sucessória do mesmo apenas vão acentuar e engrossar a enorme maioria silenciosa, afastada apenas e só pela arrogância, distanciamento e incompreensão que a acção governativa do Sporting do projecto Roquette e seus sucedâneos protagonizou. É urgente e necessário surgir alguém que corporize o desejo de inverter esta tendência. Alguém que compreenda que o cash flow é importante mas que acima do mesmo e até dos títulos está a alegria e orgulho com que cada sportinguista deve sentir o desejo incontornável de regressar, semana após semana, ao Estádio e já agora Pavilhão José de Alvalade.

Saudações Leoninas,
Pedro da Cunha Ferreira
Sócio 9.576

4 Comentários

» Deixe o seu comentário agora

» RSS feed para comentários neste post
» TrackBack URI

  1. 1

    Há momentos de grande angustia em que quase deixamos caír a tolha ao chão porque nos sentimos derrotados. Mas depois…se perdermos o nosso Clube que seja com dignidade! A dignidade do Leão! Que não se deixa abater sem luta!

    Comentário por JG a 7 de Abril de 2009 @ 22:42

  2. 2

    Caros amigos

    Sou um dos 75% de sócios que deixaram de pagar quotas, perteço pois à maioria silenciosa, mas por outros motivos.
    Como sócio pagante, com Game Box, e pagante dos jogos para os quais a Game Box não cobria, não admito que um grupelho de meninos mimados e sem horizontes chegue às bilheteiras de Alvalade, levante uma quantidade inacreditável de bilhetes, ultrapassando uma fila na qual estava desde as 4 horas da manhã, dizendo que tinha sido a direcção que tinha dado ordens para lhes dar os bilhetes e, terminando clamando que “o Sporting somos nós. Nós é que vamos a todo o lado com o Sporting”. Assim também eu ia, para além de ter sido uma posição arrogante que desrespeitou todos os sócios que ali se encontravam à espera de adquirir um bilhete para a Final da Taça UEFA. A partir desse dia acabou-se. Nem quotas, nem Game Box, nem voltei a Alvalade.
    E não volto enquanto uma de duas coisas não acontecer: a JL pedir desculpa a todos os sócios pelo seu comportamento arrogante e destituído de sportinguismo ou a JL ser definitivamente encerrada.
    Sei que não estou só nas razões, pois foram muitos os que nesse mesmo dia encerraram a sua vida de sócios pagantes, de lugares cativos e não voltaram a Alvalade.
    Como vê, se calhar a maioria dos desistentes não o são pela direcção e suas opções estratégicas, mas por causa da JL, o primeiro factor divisionista no clube.
    O João Paulo e a Maggy é que não adivinhavam o monstro que estavam a criar. Se o soubessem nunca lhe teriam dado origem. Meus queridos Vapores do Rego.
    PS - Por estas razões recusei responder à campanha de despenalização de quotas atrasadas, em tempos movida pela direcção.
    Silencioso sim, mas atento. Não deixo de ser do Sporting por não ser sócio de pleno direito, e como não estou interessado em entrar em Alvalade, na casa do meu clube, e ver uns bimbos a assobiar os meus jogadores logo aos 5 minutos de jogo, o não ser sócio também não me afecta.
    Sporting sou e serei sempre, porque o sou nas boas e nas más horas. Eles é que não sei, pois parece que só são do Sporting quando ganham.
    Saudações leoninas

    Comentário por lyoncorner a 13 de Abril de 2009 @ 6:44

  3. 3

    POis claro como tu e “muitos” deixaram de ser por esse motivo, “como se vê” tu passas a ter razão… Olha se te queixas da Juve queixa-te ao FSF q tem lá o Mário Patrício e o Salame Garção. Quando foi para despachar o DCunha e o Peseiro não se importaram nada dos gritos e das faixas..

    Comentário por Ricardo a 13 de Abril de 2009 @ 8:14

  4. 4

    Caro Ricardo

    Eu tenho a minha razão e não preciso que os outros a reconheçam, percebe?
    Está no seu direito de duvidar que sejam “muitos”, mas se quiser sempre pode ver quem são e indagar. Vai ter uma grande surpresa, pelos vistos.
    Sabemos que a JL esteve na origem da demissão do Presidente José Roquette (alguém se esqueceu daquela vergonhosa noite onde o Presidente do Clube foi enxovalhado por garotos auto-convencdos, julgando-se donos da razão e por isso, arrogantes e mal educados?) que tinha filhos lá em casa, não tinha que aturar os filhos dos outros, sabemos que forçou o despedimento de Peseiro e não consta que FSF tivesse sido ou achado na questão.
    Pena é não forçarem o próprio despedimento da turba.
    Caro Ricardo, comporte-se a JL de forma correcta e educada, respeitando o clube, todos os que o servem e os consócios, e apoiando nas boas e nas más horas o Sporting e as suas equipas, e garanto-lhe que ningém levantará um dedo contra ela. Só no Sporting vejo um jogador fazer um mau passe aos 5 minutos e ser de imediato assobiado até ao fim do jogo. Se tem dúvidas que essa não é a forma correcta de actuar, basta olhar para o erro de Tonel com o Belenenses, a forma como foi apoiado e a sua resposta a partir daí (só agora foi ultrapassado) para perceber que o erro não está nos jogadores, está mesmo em quem assobia.
    O Sporting não precisa de braços armados para nada, muito menos para se auto-mutilar.
    O vosso amor ao clube não se manifesta na exig~encia da perfeição, mas sim em dar a mão a quem caíu para se levantar e retomar o caminho.
    É isto tão dificil de fazer?

    Comentário por lyoncorner a 13 de Abril de 2009 @ 11:15


Deixe um Comentário

  1. XHTML: Pode usar estas expressões: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>